A Polícia Federal em Brasília informou que vai pedir a exumação do corpo de um índio da etnia mundurucu que apareceu morto após confronto com agentes que faziam uma operação de combate ao garimpo ilegal no norte de Mato Grosso.
O confronto ocorreu no último dia 7, próximo à divisa dos Estados de Mato Grosso e Pará, enquanto a PF destruía balsas que, segundo as investigações, faziam extração ilegal de ouro na região do rio Teles Pires.
O diretor de Polícia do Interior do Pará, delegado Silvio Maués, afirmou que o corpo encontrado já passou por perícia, a pedido da Polícia Civil do Estado, em Jacareacanga (a 1.818 km de Belém).
"Estamos aguardando a emissão do laudo necroscópico, que deve ficar pronto nesta semana", disse.
Para Maués, se a descrição do exame feito no corpo estiver bem detalhada, "talvez não haja necessidade de se buscar outra perícia."
Conforme a Folha mostrou, os exames apontam que o índio Adenílson Munduruku, 28, morreu em decorrência de três ferimentos provocados por arma de fogo.
A exumação permitiria à PF fazer exames complementares, como o de balística.
O delegado paraense diz "aventar a possibilidade" de que os índios, por questões culturais, não permitam uma exumação. Segundo a PF, o pedido teria de ser negociado com os indígenas.
A Polícia Federal afirmou que abriu inquérito para investigar o caso e que pediu a ajuda da Polícia Civil do Pará nas investigações.
Entidades ligadas às causas indígenas dizem acreditar que um pedido de exumação possa atrasar as apurações e criar animosidades.
"O IML já fez laudo sobre isso. Não sei qual a justificativa [da PF] para solicitar um novo exame", disse Luiz Cláudio Teixeira, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) em Jacareacanga.
Segundo o missionário, uma comitiva de índios mundurucus vai viajar para Brasília na próxima segunda-feira para se reunir com a direção da Funai (Fundação Nacional do Índio) e pedir que a morte seja investigada.
A Funai na região está acompanhando o caso.
Líderes da etnia afirmam que Adenílson foi "executado" durante a operação da PF.
"Eles atiraram nas pernas, para que ele não pudesse fugir, e depois deram um tiro na cabeça para matar", afirmou Adonias Kaba, índio mundurucu que é vereador pelo PSDB em Jacareacanga.
A PF disse, em nota, que sofreu uma "emboscada", pois havia chegado a um acordo com os índios sobre a realização da operação.
Parte dos agentes que até ontem estava na região da operação deve retornar hoje a suas cidades de origem. A operação Eldorado, como foi chamada, está suspensa.
A PF disse que ainda que estuda se vai retomá-la ou cancelá-la, pois a estação de chuvas se aproxima, o que inviabiliza uma nova mobilização de equipes para a área.